A exposição Abertura: Lina Bo Bardi e os anos 1980, não revisita Lina como figura histórica. Ela parte de um problema: seu trabalho foi amplamente absorvido, mas também simplificado — muitas vezes reduzido a uma linguagem formal.
O que está em jogo aqui é outra leitura: o espaço como uso — como uma estrutura que organiza o corpo, a convivência e o tempo.
O mobiliário não aparece como design histórico, mas em uso, integrado ao espaço expositivo. Essas peças não são objetos autônomos, mas estruturas que mediam como as pessoas se encontram, se movem e permanecem.
O foco não é a forma, mas a função social. Isso se torna especialmente claro no SESC Pompeia, desenvolvido a partir dos anos 1970, no contexto da abertura política no Brasil. Ali, arquitetura e mobiliário operam como um único sistema, estruturando condições de circulação, permanência e troca. Não se trata apenas de um projeto arquitetônico, mas de uma estrutura para a vida coletiva.
A exposição não apresenta essas obras como ícones, mas ativa a lógica que as sustenta.
A inclusão de outros artistas expande esse campo — não como referência, mas como práticas que continuam a operar sobre o corpo, a construção do espaço e a inscrição social.
Madeira maciça carbonizada com acabamento de seladora nitrocelulose
79 x 39 X 44 cm
madeira de pinheiro
200 x 7 (tampo); 64 x 65 x 28,5 cm (cada banco)
Terra, giz carvão tingido sobre papel montado em treliça de sisal e bambu
42 x 31 cm ; 31 x 30 cm ; 33 x 32 cm
Terra, giz carvão tingido sobre papel montado em treliça de sisal e bambu
32 x 33 cm ; 31.5 x 34 cm ; 37 x 33 cm