An Accounting

An Accounting

Bruxelas
10.09 — 24.10.2026

An Accounting é a primeira exposição individual de Maria Thereza Alves na galeria em Bruxelas. Partindo dessa assimetria — entre aqueles que contabilizavam a distância e aqueles que viviam o tributo —, a artista investiga de que maneira a exploração colonial dessas localidades no México, sustentada ao longo de séculos pelo trabalho não remunerado e pela extração de bens, permanece inscrita na paisagem, nos objetos e na memória da região.

A relação tributária entre Xico e a família nobre, por exemplo, remonta a 1529, quando o rei Carlos V concedeu ao conquistador Hernán Cortés o peñol de Xico — um ilhote rochoso no meio do lago Chalco —, juntamente com o título hereditário de Marquês do Vale de Oaxaca, domínio que obrigava seus habitantes a pagar tributos a quem quer que detivesse o título, mesmo do outro lado do Atlântico. Ao longo dos dois séculos seguintes, por meio de sucessivos casamentos entre membros da nobreza europeia, o título — e a renda que ele gerava — passou para a família napolitana Pignatelli Cortés. O sistema hereditário de tributos foi formalmente abolido com a independência do México, em 1821, mas a exploração da terra, sob a forma de haciendas, continuou por gerações, até ser encerrada pela Revolução Mexicana e pela reforma agrária que se seguiu, no início do século XX — justamente o momento em que um membro da família escreveu pela primeira vez para perguntar como eram aquelas terras e aquelas pessoas.

Para esta investigação, a artista parte de duas fontes principais: o acervo do Museo Comunitario Valle de Xico, composto por mais de cinco mil artefatos encontrados e preservados pelos próprios habitantes da região, e a Villa Aragona Pignatelli Cortes, em Nápoles. Colocar esses dois arquivos em confronto — um popular e comunitário, constituído por aqueles que herdaram o peso da exploração; o outro aristocrático e institucional, construído com a riqueza gerada por essa mesma exploração — é o gesto central da exposição: uma outra forma de prestação de contas, que desloca o registro da propriedade para a memória, a permanência e a autoria daqueles que, historicamente, foram contabilizados, mas nunca ouvidos.